segunda-feira, 3 de maio de 2010

telhados de vidro


Poema enviado a concurso em 1985
obviamente não seleccionado

Não se fechem as gavetas entreabertas
Para que se limite a poesia
A um número restrito de poetas

Abram-se as gavetas que ocultam poesia
E leia-se alto os poemas escondidos
Todo o poeta tem a importância de ser gente
Não tendo que ser diferente
Nem pertencer aos escolhidos

Não se criem critérios
De exclusão permanente ou inclusão vitalícia
Abram-se os olhos à melodia das palavras
Estética sentida dos sentidos do poeta
E porque por vezes os telhados são de vidro
Não metam este poema na gaveta

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domingo, 2 de maio de 2010

sei um ninho


Hoje captei esta imagem de um ninho de andorinhas e logo
me veio à memória o "Segredo " de Miguel Torga

Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo tem lá dentro um passarinho
Novo.

Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...

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sexta-feira, 23 de abril de 2010

depois da chuva


Uma lamparina, três agulhas de pinheiro, um copo que encheu com a água da chuva

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